Presidente da Câmara Municipal da Trofa
Ser Presidente da Câmara da Trofa, num concelho jovem como o nosso, é acima de tudo um compromisso com o futuro. Vivemos numa época em que tudo muda depressa: a forma como trabalhamos, comunicamos, nos deslocamos e participamos na vida pública. A Trofa tem esta vantagem competitiva: é um município com gente empreendedora, associações muito ativas e uma geração mais jovem que não se conforma com respostas “de sempre” para problemas novos. É com esta energia que queremos governar.
Quando falamos de política social, não estamos a falar apenas de apoios em situações de emergência. Falamos de criar condições para que cada pessoa possa construir o seu próprio percurso de vida com dignidade. É por isso que o Município da Trofa tem vindo a investir numa rede integrada de respostas que combina apoio social, educação, saúde, habitação, inclusão digital, cultura e desporto. Não vemos estas áreas como caixas separadas: sabemos que o bem-estar biopsicossocial de cada trofense depende da forma como tudo isto se articula.
As Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) da Trofa são, neste contexto, parceiras centrais. Muitas vezes são elas que estão no terreno nos momentos mais difíceis da vida das pessoas. O nosso papel, enquanto Câmara Municipal, é criar pontes e não muros: apoiar, coordenar, partilhar dados, alinhar estratégias e garantir que ninguém fica para trás por falta de ligação entre serviços. Trabalhamos com as IPSS para que o Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social (SAAS), as respostas de Envelhecimento Ativo, o apoio às pessoas com deficiência, o acompanhamento a migrantes, o apoio às famílias e às vítimas de violência estejam realmente próximos de quem precisa, no tempo certo e com a qualidade certa.
Ao mesmo tempo, sabemos que os desafios sociais de hoje não se resolvem apenas com mais serviços; exigem novas formas de pensar e de agir. Temos de responder a questões como a solidão em todas as idades, a saúde mental, a transição digital, os novos tipos de emprego, o custo da habitação, a conciliação entre vida profissional e familiar ou as exigências colocadas pela emergência climática. É aqui que entra a inovação social: testar soluções diferentes, envolver os cidadãos na construção das respostas, usar melhor os dados, cruzar áreas que tradicionalmente estavam separadas.
A integração da Trofa no Observatório de Práticas de Inovação Social é um passo importante desta mudança de atitude. Ao aderirmos a esta rede, assumimos que queremos aprender com outras cidades e organizações, avaliar com rigor o impacto do que fazemos e ter coragem para corrigir caminho quando necessário. Queremos que a formação e capacitação dos profissionais seja contínua, que o conhecimento produzido no terreno seja valorizado e que as boas práticas circulem dentro e fora do concelho.
Esta visão só faz sentido se for vivida com humildade. Não entramos neste processo para mostrar que “fazemos melhor”, mas para construir em conjunto. Queremos partilhar aquilo que já experimentámos na Trofa, ouvir as soluções que estão a ser testadas noutros territórios e trazer para cá ideias que possam melhorar o dia a dia de quem vive no nosso concelho. É deste diálogo permanente que nascem políticas públicas mais humanas, mais inteligentes e mais sustentáveis.
A Trofa assume-se, assim, como um território de inovação social com os olhos postos no futuro. Um município que quer ser referência pela forma como cuida das pessoas, pela capacidade de trabalhar em rede e pela coragem de experimentar novas respostas aos velhos e aos novos problemas. Liderar hoje significa exatamente isto: ouvir mais, envolver mais, explicar melhor e decidir com responsabilidade, sempre com a justiça social, a coesão e a dignidade humana como bússola. É este o compromisso que assumimos com todas e com todos os trofenses.