Se não sabemos o que muda, como sabemos se vale a pena?

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Avaliação de Impacto

Se não sabemos o que muda, como sabemos se vale a pena?

Por Ivan Sá Vieira
(Consultor de Inovação Social)

As organizações do setor social trabalham, quase sempre, em urgência. Urgência de respostas. Urgência de financiamento. Urgência de manter as portas abertas. A lógica da sobrevivência diária raramente permite espaço para uma pergunta essencial: o que é que, verdadeiramente, mudou?

A avaliação de impacto não é sobre indicadores para relatórios nem sobre métricas para agradar a financiadores. É sobre consequência. Sobre legado. Sobre a distância entre aquilo que prometemos e aquilo que, de facto, entregamos.

E é, justamente por isso, que continua a ser uma prática pouco enraizada nas organizações sociais portuguesas. Não por desinteresse — mas por falta de tempo, de recursos e, por vezes, de instrumentos. No diagnóstico que serviu de base à definição do Plano de Capacitação do Observatório de Práticas de Inovação Social, apenas uma pequena percentagem de IPSS referiu avaliar sistematicamente o impacto das suas atividades, preferindo centrar-se na monitorização de outputs e indicadores administrativos.

Mas há uma diferença decisiva entre saber quantas refeições foram servidas e perceber se alguém saiu do ciclo de pobreza. Entre saber quantas horas de apoio foram dadas a idosos e perceber se o seu bem-estar aumentou. A diferença entre output e outcome, entre fazer e transformar, está no coração da avaliação de impacto.

A boa notícia é que a metodologia já está acessível. A Teoria da Mudança, por exemplo, permite às organizações mapear de forma lógica as suas ações, os resultados esperados e os efeitos pretendidos — e com isso tornar visível o que antes era invisível. Não se trata de medir tudo. Trata-se de saber o que importa medir, porquê, para quem e com que consequências.

Há também um valor ético neste processo. Porque medir impacto é assumir responsabilidade. É escutar os destinatários. É abrir a organização à mudança, reconhecer falhas e celebrar o que funciona. É abandonar o conforto das rotinas para entrar no território, por vezes desconfortável, da verdade.

E no entanto, o retorno é imenso. As organizações que avaliam impacto tornam-se mais focadas, mais credíveis, mais eficazes. Aprendem melhor, comunicam melhor, decidem melhor. E, talvez o mais importante: passam a saber qual é, realmente, o seu papel na vida das pessoas.

Num setor em que cada euro conta e cada gesto tem peso, avaliar impacto é mais do que uma boa prática. É uma questão de integridade. E de futuro.

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